Um estudo promovido a pedido da equipe do jornal britânico The Guardian, sobre comentários de leitores, mostrou  que jornalistas do sexo feminino são alvo das postagens mais agressivas no total de inserções feitas pelos leitores na plataforma de interação disponível na página do veículo. O levantamento destaca, ainda, que independentemente do teor do texto da matéria, é o gênero da autoria desse texto que vai determinar o grau de incivilidade do internauta ao expor sua opinião.

“Uma nova pesquisa em nossas próprias plataforma de comentários fornece a primeira evidência quantitativa para que os jornalistas do sexo feminino já suspeitavam: que os artigos escritos por mulheres atraem mais abuso e teor desdenhoso do que aqueles escritos por homens, independentemente do que se trata o artigo” (THE GUARDIAN, 2016 [online])

Comentários mais abusivos estão nos textos assinados por jornalista mulheres

Comentários mais abusivos estão nos textos assinados por jornalista mulheres

Foram analisados 70 milhões de comentários entre janeiro de 1999 e março de 2016. Para contabilizar os dados os pesquisadores contaram com um sistema de banco de dados chamado Postgres . Ao analisar os posts dos 10 escritores regulares que receberam comentários em suas matérias, percebeu-se que  a maioria dos abusos estavam em textos assinados por mulheres (oito) e dois homens negros. Duas das mulheres e um dos homens eram gays.

No jornal britânico, os comentários são normalmente aberto até três dias depois que um artigo foi publicado; uma vez que o segmento está fechado, os comentários são visíveis, mas os novos comentários não podem ser adicionados.  A pesquisa analisou somente os comentários feitos no site do The Guardian, não no Facebook ou outras plataformas sociais.

Dos temas que mais receberam postagens abusivas, dirigidas ao jornalista ou a outro comentador, estavam textos sobre Feminismo e Estupro. Esses foram os conteúdos que mais tiveram postagens bloqueadas pelo veículo no tempo da pesquisa. O The Guardian tem uma plataforma considerada aberta, porque só bloqueia comentários por razões legais,  o que leva a uma proporção muito pequena dos comentários bloqueados, cerca de 2% das suas postagens, de acordo com o estudo.

O jornal justificou a pesquisa dizendo que focou em gênero no levantamento porque queria testar a teoria de que as mulheres experimentam mais abusos do que os homens.  Além de comprovar essa tese, o levantamento também mostrou que as minorias étnicas e religiosas, e as pessoas LGBT também parecem experimentar uma quantidade desproporcional de abuso.

O jornal disse que não pretende excluir a plataforma de interação do seu veículo.

Segundo ele, não pensa ser justo com a maioria dos outros comentadores que postam conteúdo com teor adequado. “Queremos ouvir nosso leitor”, justificam. Conforme explicam, essa pesquisa é uma tentativa de encontrar uma saída para melhorar o nível das postagens, por isso a decisão de compartilhar publicamente o que foi descoberto.

“Esperamos fazer mais pesquisas para aprofundar o problema e para descobrir não apenas o que pode causar conversas on-line para dar errado, mas também o que media as organizações podem fazer para ajudar a tornar essas conversas melhor e mais inclusivo” (IDEN)

Inicialmente o The Guardian já tomou a decisão de reduzir o número de locais onde os comentários serão livre. Em assuntos que são mais polêmicos devem adotar a pré-moderação.

Para ter acesso ao texto do veículo e a metodologia da pesquisa: https://www.theguardian.com/technology/2016/apr/12/the-dark-side-of-guardian-comments