Pode ser que esteja um pouco atrasada, já que o livro “Contos Cáusticos”, do professor Marcos Fábio Belo Matos, esgotou-se no modelo “entrega personalizada”, diretamente com o autor, nas primeiras semanas da publicação. Eu o  recebi em novembro do ano passado e só agora tive coragem de escrever umas linhazinhas para ele. Tentei ser mais direta, como é toda a obra, mas me faltou destreza na arte de dizer tudo em uma linha. Sendo assim, mais longa do que o previsto, essa resenha é uma tentativa de apresentar a obra e alertar os possíveis leitores dos riscos da leitura desavisada.

Primeiramente, ainda justificando meu atraso na construção da resenha, “Contos Cáusticos” não é um desse livros que se leem rápido. Não que seja extenso, é bem fininho. Nas suas pouco mais de 80 páginas, a maioria dos texto sequer alcança um parágrafo. Mas não estou associando rapidez à centimentragem de texto ou às palavras exíguas que suas histórias apresentam. Não sei se foi uma malemolência  planejada do autor ou o que tinha pra dizer o queria fazer sem rodeios. Ao fim da leitura concluo que a segunda opção é a mais coerente: embora a “preguiça poética” pudesse ser uma justificativa mais prosaica. Mas, obviamente, ela não caberia aqui, porque destoaria da obra.

Ao findar a leitura do texto concluo que esta obra é uma porrada, não na cara do leitor, mas no seu coração. Nesse livro sobre o amor – porque tenho que admitir, embora tenha relutado muito, sei que se trata de uma obra sobre o amor –  o sentimento mais nobre da raça humana está longe de se aproximar das sutilizas, doçuras ou mesmo melancolia tão comuns em textos que tratam desse tema. No livro, o jornalista ludovicense desnuda essa emoção com uma racionalidade que chega a doer. Talvez para corações muito sensíveis não seja recomendado. Em outras palavras: talvez, plagiando  algum filme Hollywoodiano que não lembro ao certo qual seria, posso dizer que “Contos Cáusticos” é para os fortes. E só para esses. Se não tiver, ou estiver, com nesse perfil, nem tente. O amor nas linhas dos contos vêm sem fragilidades, sem sutilezas.  Trata-se de um amor áspero, impolido,  rude, talvez,  o amor nu.

Penso que a palavra nudez ajude a enxerga o livro de Marcos Fábio. Nele o autor, ao seu modo,  desvela-se, ora com histórias universais, ora pessoais – quem nunca? Ao todo são 43 títulos de poucas palavras, quase temáticos. Todos, sem exceção, uma descrição minuciosa dos dias vulgares. Eu arriscaria dizer aqui, só pra contrariar o autor, que contos não é a melhor definição para os textos ali reunidos. Eu os vejo como uma crônica do dia dia ordinário. E mais, que o melhor da obra não são os contos, mas os aforismo precisos, quase lacônicos, nos quais narra suas tramas. Como neste, que está entre os meus preferidos – “Separação: No carro, a filha voltou para o banco da frente”.

Antes de terminar essa apresentação meio torta da obra desse escritor que considero um amigo , queria dizer que “Contos Cáusticos” é um livro para homens, ou melhor, sobre homens.  Ele abre a porta para a alma masculina. Espiei por lá nessas páginas. Não sei se o autor vai gostar, sei que muita gente não gosta de comparações, mas como uma paranaense amante de Dalton Trevisan não pude deixar de notar uma certa semelhança também de sua narrativa com a “o vampiro de Curitiba”.

Acertando nessa aproximação ou arriscando uma blasfêmia, o fato é que Marcos Fábio alcançou uma maturidade como autor e seu livro é altamente corrosivo, mas também profundamente necessário.

 

Serviço:

Contos Cáusticos – Marcos Fábio Belo Matos

Editora Moura S/A – 2016.

Disponível para compra no site da editora: http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=31371

Valor no dia dessa publicação: R$ 26,00

 

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